28 outubro, 2005

Um Lopes surpreendente



Quando chegou ao Corinthians, o técnico Antonio Lopes encontrou grande desconfiança.

Assumia o time no lugar de Márcio Bittencourt, que contava com o apoio dos jogadores e havia deixado a equipe na vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Realmente, Lopes parecia não ter vida longa e fácil no Parque São Jorge.

Mas os números, e principalmene as atuações da equipe provaram o contrário.

Resultados expressivos, como o empate com sabor de vitória frente ao River Plate, no Monumental de Nuñez, e a vitória em Volta Redonda sobre o Fluminense, provaram que o ex-delegado não estava a passeio no futebol paulista.

Tudo bem que contou com uma mãozinha do STJD, que involuntariamente, tirou pontos dos rivais e deu a chance ao Corinthians de recuperar seis pontos, dos quais quatro foram reconquistados.

A vitória de hoje, sobre o Paysandu foi taticamente perfeita, fisicamente um exemplo de superação, e resultou numa vantagem de 10 pontos para o vice-líder.

Traços que levam a um objetivo comum e cada vez mais certo, o tetracampeonato nacional. Quatro títulos Brasileiros em 15 anos, coroando a supremacia alvinegra nas últimas duas décadas.

Porém, o que me chamou a atenção na partida de hoje foi a mudança tática que Antonio Lopes fez na equipe.

Habitualmente o Corinthians vem jogando num 3-5-2, com Marcelo Mattos (ou Wendel) atuando como terceiros zagueiros, stoppers pelo lado esquerdo, com Bruno Octavio (ou Marcelo Mattos) fazendo a função de primeiro volante, habilitando os alas para avançarem sem culpa.

E foi assim que o time atuou nos primeiros 45 minutos de jogo, na capital paraense. Mas ao tirar Roger e Eduardo e colocar Hugo e Fabricio, Lopes fez uma mudança até certo ponto radical.

Montou um Corinthians no melhor estilo europeu com um 4-4-2 engessado e traidicional. Capaz de fazer inveja a Carlo Ancellotti ou Fabio Cappello, técnicos que costumam usar esse esquema.

Quatro zagueiros formaram a primeira linha defensiva, com Marcelo Mattos atuando como zagueiro pela direita, Marinho e Betão formando o miolo e Wendel atuando pela esquerda.

A segunda linha tinha Rosinei pela ponta direita, Fabricio e Hugo marcando pela direita e esquerda, respectivamente, e Gustavo Nery jogando como ponta pelo lado esquerdo. Na Espanha, Rosinei e Nery seriam chamados de Volantes pela Derecha y Izquierda.

Na fente, sempre a movimentação de Carlitos pela esquerda e Nilmar pelo flanco destro do campo.

Essa alteração de Lopes montou um verdadeiro ferrolho inteligente, com saída de bola para o contra-ataque e muita consistência defensiva, ideal em circunstâncias onde o preparo físico não é o ideal, e defender-se passa a ser fundamental para conseguir o objetivo.

Trocando o 3-5-2 pelo 4-4-2 engessado, com linhas horizontais de maração e apoio. Essa é a grande inovação de Antonio Lopes no Corinthians, consertando a defesa e dando estabilidade ao time, que não perde um jogo desde o dia 24 de Agosto, quando caiu frente ao Juventude, em Caxias do Sul, por 1 a 0, ainda comandado por Márcio Bittencourt.

Lopes está surpreendendo, positivamente. Mostrando ter mais noção do que muitos esperavam. Confesso, eu era um deles. Estou me rendendo ao profissionalismo e imediatismo tático e técnico do "Professor".

O Tetra se aproxima, mais cinco vitórias nos oito jogos que faltam e ele será nosso, matematicamente.

Antonio Lopes entrará para a história como quarto treinador a levar o Corinthians a uma conquista nacional, a primeira da Era MSI. E com méritos, devidamente reconhecidos.
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